27 de junho de 2022

Entrada

Luís de Camões

Diretório de camonística


Retrato do poeta, c. 1570,por Fernão Gomes (1548-1612)
Luís de Camões (c.1524 – Lisboa, 1580) é um dos maiores escritores do mundo, em língua portuguesa. Desde o Classicismo (séc. XVI) até à nossa contemporaneidade que “o engenho e arte” manifestados pelo poeta na sua epopeia Os Lusíadas (1572) e nos seus poemas líricos das Rimas (1595) tem fascinado o leitor comum e o leitor especializado, proporcionando extensa e diversa receção crítica (artigos, ensaios, teses académicas...), glosas de homenagem e emulativas, criativa recriação por parte de escritores. Em todas as épocas, contínuas gerações têm admirado a sua obra e nela encontrado o eco ou o desvelar dos seus próprios sonhos e anseios. Nesse sentido, como referiu o camonista Vítor M. Aguiar e Silva, “Camões é um clássico que tem sido moderno ao longo dos séculos”.

Pode navegar pelas suas múltiplas facetas através das páginas aqui apresentadas:

A sua vida divulga informação e recursos sobre a biografia do poeta.

A sua obra mostra inicialmente as obras camonianas arrumadas por género (lírica, épica, teatro, cartas) e, dentro de cada género maior, fornece os textos dos subgéneros. No final, providencia-se a ligação para as Obras digitalizadas de Luís de Camões na Biblioteca Nacional de Portugal.

A época apresentará ligações para os grandes movimentos culturais e filosóficos que modelaram o tempo histórico de Camões; a influência de autores espanhóis e italianos; autores contemporâneos de Camões.

Testemunhos consiste numa antologia de excertos de consagrados camonistas sobre a vida e a obra de Camões.

Fortuna crítica contém listas de referências (bibliografia passiva) sobre a vida e a obra de Camões: receção crítica (coleções camonianas, ensaios, teses académicas, atas de encontros, artigos de periódicos e números temáticos, etc.); receção criativa (obras literárias e artísticas inspiradas em Camões) e traduções noutras línguas.

Multimédia abre-se ao diálogo intertextual da obra camoniana com as artes: Iconografia, Cinema, Música, etc. Pode ser uma aliciante porta de entrada no universo literário de Camões.

Recursos didáticos disponibiliza "materiais" (fichas de trabalho, resumos, esquemas, documentos históricos, etc.) que podem orientar o estudo da obra camoniana de acordo com os Programas e  Metas Curriculares de Português. É um auxiliar do ensino (para professores) e da aprendizagem (para os alunos) no que concerne a leitura dos textos líricos e da epopeia Os Lusíadas. Apresentam-se algumas referências bibliográficas e da Internet.

Utilitários reúnem informação prática e útil. São “ferramentas” de apoio ao navegante: Contactos; Mapa do blogue (um índice mais pormenorizado das principais secções do blogue); Siglas e Abreviaturas (utilizadas sobretudo nas referências bibliográficas); Glossário (de estudos literários, antropónimos, topónimos e vocabulário específico da obra e da época de Camões); Cursos de Estudos Camonianos; Notícias (Informação periódica recente, disponibilizada online).

Efemérides apresenta as datas celebrativas de Camões (os centenários, os "Ano Camões") ou importantes para os Estudos Camonianos.



Amor e tragédia nas viagens de Camões, pelo agrupamento Sete Lágrimas





Amor e tragédia nas viagens de Camões

“Tin-Nam-Men ou a Gruta de Patane”

3 de julho de 2022 / domingo, às 19h00

No Convento dos Capuchos



Agrupamento Sete Lágrimas:

Filipe Faria e Sérgio Peixoto - direção artística
Filipe Faria - voz
Sérgio Peixoto - voz
Pedro Castro - flautas e oboé barroco
Tiago Matias - alaúde, guitarra barroca, tiorba
Mário Franco - contrabaixo
Baltazar Molina - percussão

 
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sobre o Grupo aqui.


Programa:

O dia de hoje
Quanto mais pode a fé que a força humana
          Os Lusíadas, C.III, est.111

1. Na fomte está Lianor, Villancico anónimo (s. XVI)
2. Minina dos olhos verdes, Villancico anónimo (s. XV/XVI)
3. La terrible pena mya, Filipe Faria (n.1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre texto de vilancicos anónimos (s. XVI)
4. Mis arreios son las armas, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre texto de vilancicos anónimos (s. XVI)

A partida
Que, nos perigos grandes, o temor É maior muitas vezes que o perigo;
                    Os Lusíadas, C.IV,est.29

5. Adoramus te, Cancioneiro de Montecassino (s. XV)
6. Parto triste saludoso, Filipe Faria (n.1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre romances anónimos (s.XVI)

A viagem
E à terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer?
                    Sermão de Santo António aos Peixes, 1654, Pe. António Vieira (1608-1697)

7. Mosé salió de Misraim, Romance Sefarad (Norte de África)
8. Olá zente que aqui samo, Vilancico “Negro” de Santa Cruz de Coimbra (s. XVII)
9. A força de cretcheu, Eugénio Tavares (1867-1930)
Acabemos de nos desenganar, antes que se acabe o tempo.
                    Sermão de Dia de Ramos, 1656, Pe. António Vieira (1608-1697)

10. Variação sobre Seguiriya, Trad. Andaluzia/Juan de la Fuente Alcón
11. Tarantella, Trad. (Itália), arr. Tiago Matias
12. Pues que veros, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

A permanência
E quando foi ao p.ro de abril desaparecemos de Malaqua [Macau] e asy fomos ao longuo da costa até a Ilha q se chama pulo pisão onde estiuemos de todo perdidos com hūa muj.to grande trouoada q nos deu e em tanta man.ra q se noso snõr não fora seruido de se faser a vella em pedaços acabada era a viagem com a vida de nos todos.
                    Peregrinação, 1614, Fernão Mendes Pinto (c.1509-1583)

13. Bastiana, Tradicional (Macau/China)
14. Farar far, Tradicional (Goa/Índia) 
15. Ko le le mai, Tradicional (Timor)

E conhecendo hum daquelles, que como mayoral ou mestre da musica gouerna os outros, o Gaspar de Meirelez, lançou mão por elle para tanger, & metendolhe na mão hūa viola lhe disse, rogote que cantes o mais alto que puderes, porque te ouça este defunto q aquy leuamos, porque te affirmo que vay muyto triste pela saudade que leua de sua molher & de seus filhos a que em estremo era affeiçoado (…) 
                    Peregrinação, 1614, Fernão Mendes Pinto

16. Takeda no komoriuta, Tradicional (Japão)
17. Biem podera my desvemtura, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)




Introdução ao Programa por Bernardo Mariano


"O presente programa tem como mote os amores, reais ou lendários, de Luís de Camões por uma jovem chinesa, durante a estada do poeta em Macau.

A crer no relato histórico (conquanto não se saiba se ele foi, já então, ficcionado), os sentimentos que os uniam eram fortes, ao ponto da jovem ter acompanhado o poeta na viagem deste de regresso a Goa. Acontece que a embaracação naufragou junto ao delta do rio Mekong (sul do Vietname) e a jovem acabou por perecer nesse naufrágio. Ela está por isso ligada ao famoso episódio em que Luís de Camões, tentando salvar-se, mantém ao mesmo tempo um braço levantado, segurando a saca onde trazia o manuscrito d’‘Os Lusíadas’!

Chamava-se esta jovem Tin-Nam-Men, nome que tem uma curiosa semelhança com ‘Tiananmen’, topónimo que, como sabemos, significa ‘Porta da Paz Celestial’ ou ‘Porta da Pacificação Celestial’ – e, pesem as diferenças linguísticas Pequim/Cantão, o nome dela significaria algo de parecido. Certo é que o seu nome foi vertido como Dinamene, o que a identificou com a ninfa marinha da Ilíada homérica, identificação esta provavelmente póstuma, por via de ter Tin-Nam-Men morrido afogada. O nome dela surge associado – e assim imortalizado – a dois sonetos do poeta: ‘Ah! Minha Dinamene!’ e ‘Quando de minhas mágoas’ e é evocado na redondilha Sôbolos rios que vão, esta de cariz elegíaco pela sua morte [Nota 1: O nome dela é referido por Diogo do Couto (c. 1542-1616), amigo do poeta, historiador e guarda-mor da Torre do Tombo de Goa, mas não há certeza se se trata de um relato histórico fidedigno ou da fixação por escrito de uma fantasia poética de Camões].

Contextualizando: Camões esteve em Macau, crê-se que entre 1563 e 1565, ou seja, uma mera década após o estabelecimento dos primeiros portugueses na península [Nota2: A presença regular de portugueses nas costas da China dá-se a partir de 1513, com Jorge Álvares.] que viria a ser possessão portuguesa até 20 de Dezembro de 1999.

Camões já estava no Oriente desde o Outono de 1553 [Nota 3: Considerando que Camões só regressaria à metrópole em Abril de 1570 e tomando os anos que esteve nas praças portuguesas em Marrocos (mormente Ceuta), ele passou mais de metade da sua vida adulta fora de Portugal continental!] e, baseado em Goa, ali desempenhou o seu ofício primeiro, o de soldado, ao serviço da Armada do Índico, com a qual percorreu a maior parte das costas desse oceano. Foi para Macau desempenhar um cargo administrativo e ali ficou associado à Gruta de Patane (hoje, parte do Jardim Luís de Camões), onde, reza a história, terá escrito boa parte do seu poema épico [Nota 4: Na verdade, Camões deverá ter concebido o seu poema logo desde a longa viagem para a Índia e adiantado a sua redacção quando em Goa.].

O programa do agrupamento Sete Lágrimas empreende uma evocação dessa longa estada de Camões no Oriente e cruza-a com uma panorâmica da disseminação portuguesa por essas partes do mundo, desde Moçambique até ao Japão e a Timor.

Ao mesmo tempo, incorpora o que seria a mundivisão de Camões quando partiu rumo à Índia, impregnada das músicas populares do seu país, das músicas de corte, e das culturas e tradições mediterrânicas, incluindo as de matriz muçulmana e sefardita.

Temos por isso a presença tutelar de excertos dos ‘Lusíadas, mas que coexistem com pedaços dos ‘Sermões’ do Padre António Vieira – outra figura maior da nossa cultura que viveu a maior parte da vida fora de Portugal (e da Europa) – e com passagens da famosa ‘Peregrinação’, de Fernão Mendes Pinto.

A componente musical intenta captar o que seria a ‘sonovisão’ de Camões, da época em que viveu, dos lugares por onde passou e dos ambientes que frequentou.

É assim que ouviremos, desde logo, vilancicos: um género musical (profano e, sobretudo, religioso) endógeno da Península Ibérica, que gozou de enorme popularidade até ao início do séc. XVIII, aí se individualizando os ‘vilancicos negros’, cujo texto procurava imitar a pronúncia do português (ou do castelhano, ou do latim) pelos escravos negros trazidos para a Europa ou levados para o Brasil/a América, sendo que também a música incorporava alguns aspectos das suas práticas musicais. Os que hoje ouviremos provêm de arquivos ou foram reconstruídos ‘ex novum’ por Filipe Faria e Sérgio Peixoto. Aquele intitulado ‘Minina dos olhos verdes’ é uma referência à nossa Tin-Nam-Men, que, segundo consta, teria uns lindos olhos dessa cor.

Também ouviremos romances (de tema amoroso ou mais narrativo), incluindo os da tradição sefardita peninsular; cantos religiosos; músicas populares do espaço mediterrânico (Andaluzia, Reino de Nápoles); e temas da música tradicional de Goa, Macau, Timor e Japão.

Um retrato-relance, enfim, dos complexos e multicontinentais processos de aculturação, miscigenação (étnica e cultural), sincretismo e multiculturalismo que se produziram na vigência do Império Português e das várias diásporas que no seu interior ocorreram. Hoje já lá vai o Império, mas esses processos continuam, fertéis, inventivos e enriquecedores como sempre."

Autoria: Bernardo Mariano







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O impulso épico de Camões, conversa no Festival de Música dos Capuchos





O impulso épico de Camões

nos 450 anos da publicação de "Os Lusíadas"


Com Nuno Júdice e Isabel Rio Novo 
e leituras de Lia Gama
Moderação de Carlos Vaz Marques


No Festival de Música CAPUCHOS

Conversa dos Capuchos 3

3 Julho, domingo, às 17h, no Convento dos Capuchos / Caparica



"O ano de 2022 é rico em importantes efemérides literárias. Elegemos três delas para em três fins-de-semana consecutivos associarmos à força expressiva da música a evocação da palavra escrita. Nos três domingos do Festival de Música dos Capuchos deste ano, celebramos e interrogamos três figuras literárias de primeira grandeza, duas delas, com séculos de História a separá-las, unidas no papel de grandes protagonistas do património literário da língua portuguesa. 

Assinalamos uma obra fundadora, Os Lusíadas, e dois centenários: o do nascimento de Agustina Bessa-Luís e o da morte de Marcel Proust. [...]  A última das Conversas dos Capuchos traz ao palco o poema fundador da identidade portuguesa, neste ano em que se assinalam os 450 anos da publicação de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Nuno Júdice e Isabel Rio Novo serão protagonistas de uma sessão em que nos interrogaremos sobre “O impulso épico” e a atualidade de Camões, com a actriz Lia Gama a dar voz a estrofes escolhidas de Os Lusíadas."
Fonte: Conversas dos Capuchos, in Festival de Música dos Capuchos.




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15 de junho de 2022

Colóquio "Refracções Camonianas em Escritores do Século XXI" na Casa de Mateus



Refracções Camonianas em Escritores do Século XX

Colóquio camoniano na Casa de Mateus

19 de junho de 2022

Das 9h15h - 18h


Organização:
Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN)
Fundação da Casa de Mateus
Linha de investigação Poética e Retórica
do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos (CIEC)
da Universidade de Coimbra

Coordenação Geral:
José Carlos Seabra Pereira
Laura Castro
Maria Bochicchio
Teresa Albuquerque


Concepção e Direção:
Maria Bochicchio


Comissão Cientifica:
José Carlos Seabra Pereira (Univ. Coimbra)
Laura Castro (DRCN)
Luísa de Castro Soares (Univ. UTAD)
Maria Teresa Nascimento (Univ. da Madeira)
Maria Bochicchio (Univ. Coimbra)
Zulmira Santos (Univ. Porto)


"Camões é apenas um nome e um símbolo de um tempo irremediavelmente passado? Deve ser lido só como um "clássico" de obra circunscrita à sua época? Ou, pelo contrário, à semelhança de criadores como Dante e Cervantes, solicita um estudo como Poeta global e cuja obra mantém um apelo vivo a renovadas leituras e um discurso ainda atuante no pensamento poético dos autores de hoje?

Nesta perspectiva de indagação, por ocasião das comemorações dos 450 anos da publicação d'Os Lusíadas, a DRCN, a Fundação da Casa de Mateus e o CIEC, particularmente através da sua linha de investigação Poética e Retórica, estão a organizar um Colóquio subordinado ao tema Refracções Camonianas em Escritores do Século XXI, em que poetas e romancistas, mas também especialistas em Estudos Literários, ponderam a sua relação com Camões e depõem sobre as principais facetas da presença viva da obra camoniana na própria obra e formação.

O Colóquio [...] contará com a presença de Escritores fortemente representativos da nossa contemporaneidade literária tais como Nuno Júdice, Mário Cláudio, Ana Luísa Amaral, Fernando Pinto do Amaral, Ana Margarida de Carvalho, Carlo A. André, Rui Lage, Nuno Higino ou Álvaro Magalhães.

No final do Colóquio, às 18h00, será realizada uma visita guiada à Biblioteca da Fundação da Casa de Mateus onde poderá ser consultada e apreciada a Edição Monumental de Os Lusíadas, publicada em 1817 por D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 5º Morgado de Mateus."







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Maratona de Leitura de "Os Lusíadas" - Rede EPE do Camões, I.P. na Europa Central e de Leste, 10 a 19 de junho de 2022



Maratona de Leitura de Os Lusíadas - Rede EPE do Camões, I.P. na Europa Central e Oriental

10 a 19 de junho de 2022, em exibição online


Organização dos
Centros de Língua Portuguesa de Belgrado (Sérvia), Bucareste (Roménia), Budapeste (Hungria), Praga (Chéquia), Sófia (Bulgária), Varsóvia (Polónia) e Zagreb (Croácia).



Para assinalar os 450 anos da primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, os Centros de Língua Portuguesa de Belgrado (Sérvia), Bucareste (Roménia), Budapeste (Hungria), Praga (Chéquia), Sófia (Bulgária), Varsóvia (Polónia) e Zagreb (Croácia) colaboraram na realização e gravação da leitura integral deste monumento maior da literatura de língua portuguesa.

Reunindo a participação local de professores, alunos e amigos dos diferentes CLPs, os dez cantos da epopeia serão lidos integralmente em português, com algumas estrofes na sua tradução para os idiomas locais, resultando o ambicioso projeto num conjunto de dez vídeos através dos quais se poderá escutar, a várias vozes e entoações, o grande poema camoniano.

Os vídeos serão publicados na plataforma Youtube do Camões, I.P.
entre os dias 10 e 19 de junho, ao ritmo de um canto por dia.

Poderão acompanhar as leituras diariamente a partir das 
10h - hora de Lisboa 
11h - Chéquia, Croácia, Polónia, Sérvia
12h - Bulgária, Roménia.



Consulte abaixo, em cada imagem,
a ligação para cada canto no canal do Youtube do Camões, I.P

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Viva Camões! Vivam a Língua e a Cultura Portuguesas!


















11 de junho de 2022

CELESTINA EM LISBOA – UMA CARTA DE CAMÕES OCULTA POR 470 ANOS


Epistolário Magno de Luís de Camões vol. 1 – Celestina em Lisboa

de Felipe de Saavedra

Amadora: Canto Redondo, julho 2022.


Livro em pré-venda (€ 20,83, oferta dos portes), disponível a partir de 15 de julho.




"Vem aí o primeiro volume do Epistolário Magno de Luís de Camões!"


"Há várias décadas que os estudos camonianos não progrediam no resgate de novos textos e documentos, o que é surpreendente tendo em conta a existência de muitas fontes manuscritas por identificar e publicar. Quando esta edição do «Epistolário Magno de Luís de Camões» por Felipe de Saavedra estiver completa, constituirá um marco inegável nesses estudos.

As catorze cartas contempladas no total dos cinco volumes previstos (doze principais e mais duas suplementares) são apresentadas em texto crítico e com extenso comentário histórico e biográfico.

Elas incluem, para além das cinco epístolas em prosa tradicionais (VII-X, XII), mais três que são estudadas como epístolas (II, III, XI) e outras três que são reatribuídas a Camões (I, IV e IVa). Para mais duas missivas é estabelecida a autoria camoniana pela primeira vez (Ia, V), enquanto uma última, há muito reconhecida como sendo de Camões, permanecia inédita em versão integral (VI), sendo esta a primeira a vir a público nesta série.

O acervo de informações que as cartas de Camões revelam inclui, por exemplo, a cidade onde ele nasceu; como era a vida militar da guarnição portuguesa de Ceuta onde ele serviu, e as queixas dos portugueses contra o capitão da praça; quem eram os seus companheiros de má vida na noite lisboeta, e por que razões foi preso em 1552; o impacto da pandemia da sífilis nas letras europeias e portuguesas; ou como se malcomportavam as diversas tribos urbanas que compunham a colónia portuguesa residente em Goa.

No comentário, o mais extenso até hoje elaborado para o epistolário camoniano, estudam-se aspectos que têm sido pouco contemplados, desde os biográficos – sejam os contornos da sua doença e as circunstâncias precisas da sua morte – aos mais teóricos: a afinidade entre a comédia, a sátira e a epístola pelo elemento dionisíaco que subjaz à sua filosofia de vida e visão do mundo.

O retrato ao vivo que resulta deste assinalável esforço interpretativo não é o de um «novo Camões», nem o de um Camões alternativo ao Camões brônzeo ou marmóreo, dito «oficial». Pelo contrário, quem reemerge destas páginas é o Camões «mais antigo», o original, ainda humano e talvez «demasiado humano», com quem os seus contemporâneos privaram quando ele se achava ainda isento do mito com que os pósteros o iriam depurar e desumanizar."

Fonte: Na página no Facebook da editora Canto Redondo.


VOL. 1 CELESTINA EM LISBOA – UMA CARTA DE CAMÕES OCULTA POR 470 ANOS



"A presente publicação do Epistolário Magno de Luís de Camões, em edição crítica, analítica e exegética, fundamenta-se na escrupulosa releitura das mais antigas fontes manuscritas e impressas, elevando o estudo da epistolografia clássica portuguesa a um novo patamar de exigência científica.

Esta obra em cinco volumes inicia-se com uma missiva inédita, votada ao ostracismo desde 1925. Adicionar quase mil e quinhentas palavras ao corpus camoniano é um feito a que desde há muito não se assistia. E não são meramente mais palavras, e sim uma colorida evocação de Celestina, a alcoviteira nascida da pena de Fernando de Rojas em 1499, que aqui revive na Madama del Puerto, a alcouceira que retorna a Lisboa após ter sido açoutada e banida da cidade.

Nesta extensa crónica das desvivências do submundo de Lisboa, iniciada pela proposição Por q̃ nẽ tudo seja falaruos de siso, Camões denuncia os engodos das toleradas para espoliaram do seu pré os jovens ceitis — mancebos conscritos para a praça militar de Ceuta — e também como as compradiças propagavam a pandemia de sífilis que assolava a Europa. O relato é rematado com a descrição de uma charanga carnavalesca que, às primeiras horas da madrugada, parte do porto de Lisboa rumo aos jardins de Horta Navia, em Alcântara, onde se celebrará um festival báquico.

Enquanto obra destinada tanto a uma audiência académica quanto a um público interessado, este estudo da carta Celestina em Lisboa concilia a erudição filológica, o rigor histórico e a mestria hermenêutica, com um tom ocasionalmente mais jocoso, entremetendo também algum latinzinho para aceder às propostas do próprio Camões."




EPISTOLÁRIO MAGNO DE LUÍS DE CAMÕES – 5 volumes


VOL. 1 CELESTINA EM LISBOA
  • CARTA VI — Por q̃ nẽ tudo seja falaruos de siso

VOL. 2 QUẼ TERA TÃ LIVRE O PENSAMENTO?
  • CARTA I — Huã de v m me deraõ tam guastada
  • CARTA II — Quem pode ser no mundo tã quieto
  • CARTA III — Aquella cuio peito em flama ardido
  • CARTA IV — Por usar costume antigo

VOL. 3 VISITAÇÃO AOS PAÇOS DE VÉNUS
  • CARTA V — Mandarame que lh’escreuesse
  • CARTA VII — Huã vossa me deraõ a qual pello descostume
  • CARTA VIII — Quanto mais tarde vos escreuo

VOL. 4 CÀ, & LÂ MÀS FADAS HA (LETRAS DA ÍNDIA)
  • CARTA IX — Deſejei tanto hũa voſſa
  • SÁTIRA I — Eſte mundo es el camino
  • SÁTIRA II — E hũ q̃ bebia exceßiuamente
  • CARTA X — Esta uai com a candeia na maõ
  • CARTA XI — Aquelle vnico exemplo

VOL. 5 HORA TEMPERAIME LA ESSA GUAITA
  • CARTA XII — Quem ouuiu dizer nunca
  • Cartas perdidas
  • Receção crítica



Para saber +



7 de junho de 2022

Camões e os acervos camonianos



Camões e os acervos camonianos

Com
José Augusto Cardoso Bernardes, Gilda Santos, Maria do Céu Fraga


Tema da programação do 

Projeto Luso-Brasilidades: Práticas e Trânsitos

Em mais uma quinta-feira, dia 9 de junho de 2022, às 15h

no canal do YouTube do Real Gabinete Português de Leitura:



Para saber +

  • Canal oficial do Youtube do Real Gabinete de Leitura. - Com transmissão de atividades diversas realizadas pelo seu Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras (PPLB / CNPq) e pelo seu Grupo de Pesquisas Literárias Luso-Brasileiras (PLLB / CNPq).