2026/02/10

"Camões na Gruta de Macau", obra de Francisco Augusto Metrass



     "Camões na Gruta de Macau"    

Portugal, 1853. - Óleo sobre tela, 163 cm x 132 cm.
por Francisco Augusto Metrass.

Museu do Chiado / Arte Contemporânea, Lisboa.


A obra de Metrass é selecionada para 
Exposição Universal de Paris, em 1855

"Esta geração romântica acaba por se consagrar em torno da Exposição Universal de Paris de 1855 e da trienal de Lisboa do ano seguinte, muito por ação do monarca consorte, já então viúvo, depois da morte da rainha, ocorrida em 1853. 

Paris constituiu a primeira representação artística nacional além fronteiras [Nota 30] com uma comissão própria presidida pelo Conde de Farrobo e da qual faziam parte, entre outros, António Manuel da Fonseca, mas também Anunciação (nomeado professor substituto de Paisagem em 1852), Metrass e Meneses. O processo de seleção das obras foi naturalmente muito esgrimido entre as fações estéticas e exigente da intervenção apaziguadora do rei, na altura regente, atendendo à menoridade do filho herdeiro D. Pedro. 

É curioso notar que das pinturas escolhidas e enviadas a Paris, algumas já pertenceriam à coleção do monarca, com evidência para a obra Camões na Gruta de Macau, de Francisco Metrass, oferecida pelo artista a D. Fernando que o gratificou com a quantia de 225$000, em 1853 [Nota 31]."

Nota 31 - "A.H.C.B., Casa Real, Secretaria de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, Contabilidade, Livro de caixa de 1853, Cota NNG 3512, f. 31. Agradeço a Inês Marques a informação."

Maria João Neto & Marize Malta (coord.)
Coleções de Arte em Portugal e Brasil nos Séculos XIX e XX: Modus Operandi | [PDF]
Lisboa: Caleidoscópio, 2023, p. 56.



Camões na gruta de Macau, 1853
 de Francisco Metrass
imagem divulgada na folha de sala e
na Exposição também disponibilizada online - CAMÕES 500
Com curadoria de Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo
Patente de 9 jan. a 25 jul. 2025, na Sala de São Pedro, da BGUC.


    Camões na Gruta de Macau    

c. 1853. - Óleo s/ tela, 28 x 20 cm
Ass. em baixo à esquerda: Metrass
de Francisco Metrass

In: [Catálogo de exposição]
Um percurso pela Pintura Portuguesa: Colecção Telo de Morais |  [PDF]
 Viseu: C. M. de Coimbra e Museu Grão Vasco, 2012, p. 12

Comentário:
Obra que parece ser um esboço (daí a indicação da data "c. 1853")
da obra conhecida com o mesmo nome, datada de 1853.


     METRASS    
Francisco Augusto Metrass

n. Lisboa, em 1825 - m. 1861

"Frequentou a ABAL, onde foi aluno de António Manuel da Fonseca na cadeira de Pintura de História.
A sua estada em Roma (1844-1846), onde estudou nos ateliers de Overbeck e de Cornelius, pô-lo perante a produção do Grupo dos Nazarenos, reforçando o seu interesse pela pintura de história, mas agora com conotações místicas e simbólicas. 
A sua passagem por Paris teve também grande impacto na sua obra e no meio artístico português na medida em que contactou com a pintura romântica francesa, cujos princípios estéticos terá divulgado no nosso país. 

O regresso a Portugal (1847) foi, porém, marcado pelo insucesso junto do público, partindo, desiludido, de novo para Paris. Durante o período seguinte de viagens entre Portugal e França, Metrass pintou as suas obras mais emblemáticas, encenando dramaticamente cenas da História nacional (Camões na gruta de Macau, 1853 e Inês de Castro pressentindo os assassinos, 1855, ambas do Museu do Chiado) e explorando expressivamente os temas românticos do limiar da morte ou da angústia existencial. 

O romantismo popularizou-se então em Portugal, após um primeiro momento de incompreensão, com as pinturas de Metrass, que seria nomeado professor da cadeira de pintura de História da EBAL."
In: [Catálogo de exposição]
Viseu, 2012, p. 12.


Camões em Macau

"Existem indícios fortes de que Camões desempenhou, por algum tempo (talvez durante a década de 60 do séc. XVI), função de provedor-mor dos defuntos em Macau. 

Aí se encontra uma gruta que, segundo a lenda, teria funcionado como espaço de recolhimento e de trabalho do poeta e que guarda ainda hoje o seu nome. 

Embora não comprovada documentalmente, tal lenda reflete bem  a importância de Camões para a identidade cultural daquele território para a preservação da língua portuguesa no quadro das relações históricas entre Portugal e a China. 

Na tela do pintor Francisco Augusto Metrass,  o poeta, tendo a pena na sua mão direita e a espada a seus pés, surge acompanhado pelo jau, um escravo oriundo da ilha de Java, mas é pouco provável que em Macau este já estivesse ao seu serviço."

Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo (curadores)
in Folha de sala da exposição CAMÕES 500, Coimbra 2025.



para saber +





Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo (curadores)
CAMÕES 500 - ["Folha de sala" da exposição, 
patente de 9 jan. a 25 jul. 2025, na Sala de São Pedro, da BGUC].
Exposição CAMÕES 500 - Reproduzida online.
Produção: Maria Luisa Sousa Machado; José Amado Mateus;
Design: Atelier d'Alves.
Coimbra, 2025

Nuno Sadanha
Francisco Metrass (1825-1861): Melancolia, Eros e Tanatos.
in Arte, Cultura e Património do Romantismo. Actas do 1.º Colóquio “Saudade Perpétua”
2017, p. 769-799.

[Catálogo de exposição]
"Um percurso pela Pintura Portuguesa: Colecção Telo de Morais" |  [PDF]
 Viseu: Câmara Municipal de Coimbra e Museu Grão Vasco, 2012.

Museu Nacional de Arte Contemporânea
Camões nas Colecções do Museu Nacional de Arte Contemporânea: Catálogo
Lisboa: MNAC, 1972.




Redação: 9.02.2026

A VIDA DE CAMÕES