"Camões na Gruta de Macau"
Portugal, 1853. - Óleo sobre tela, 163 cm x 132 cm.
por Francisco Augusto Metrass.
Museu do Chiado / Arte Contemporânea, Lisboa.
A obra de Metrass é selecionada para
a Exposição Universal de Paris, em 1855
"Esta geração romântica acaba por se consagrar em torno da Exposição Universal de Paris de 1855 e da trienal de Lisboa do ano seguinte, muito por ação do monarca consorte, já então viúvo, depois da morte da rainha, ocorrida em 1853.
Paris constituiu a primeira representação artística nacional além fronteiras [Nota 30] com uma comissão própria presidida pelo Conde de Farrobo e da qual faziam parte, entre outros, António Manuel da Fonseca, mas também Anunciação (nomeado professor substituto de Paisagem em 1852), Metrass e Meneses. O processo de seleção das obras foi naturalmente muito esgrimido entre as fações estéticas e exigente da intervenção apaziguadora do rei, na altura regente, atendendo à menoridade do filho herdeiro D. Pedro.
É curioso notar que das pinturas escolhidas e enviadas a Paris, algumas já pertenceriam à coleção do monarca, com evidência para a obra Camões na Gruta de Macau, de Francisco Metrass, oferecida pelo artista a D. Fernando que o gratificou com a quantia de 225$000, em 1853 [Nota 31]."
Nota 31 - "A.H.C.B., Casa Real, Secretaria de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, Contabilidade, Livro de caixa de 1853, Cota NNG 3512, f. 31. Agradeço a Inês Marques a informação."
Maria João Neto & Marize Malta (coord.)
Coleções de Arte em Portugal e Brasil nos Séculos XIX e XX: Modus Operandi | [PDF]
Lisboa: Caleidoscópio, 2023, p. 56.
Camões na gruta de Macau, 1853
de Francisco Metrass
imagem divulgada na folha de sala e
na Exposição também disponibilizada online - CAMÕES 500
Com curadoria de Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo
Patente de 9 jan. a 25 jul. 2025, na Sala de São Pedro, da BGUC.
Camões na Gruta de Macau
c. 1853. - Óleo s/ tela, 28 x 20 cmAss. em baixo à esquerda: Metrass
de Francisco Metrass
In: [Catálogo de exposição]
Viseu: C. M. de Coimbra e Museu Grão Vasco, 2012, p. 12
Comentário:
Obra que parece ser um esboço (daí a indicação da data "c. 1853")
da obra conhecida com o mesmo nome, datada de 1853.
METRASS
Francisco Augusto Metrass
n. Lisboa, em 1825 - m. 1861
"Frequentou a ABAL, onde foi aluno de António Manuel da Fonseca na cadeira de Pintura de História.
A sua estada em Roma (1844-1846), onde estudou nos ateliers de Overbeck e de Cornelius, pô-lo perante a produção do Grupo dos Nazarenos, reforçando o seu interesse pela pintura de história, mas agora com conotações místicas e simbólicas.
A sua passagem por Paris teve também grande impacto na sua obra e no meio artístico português na medida em que contactou com a pintura romântica francesa, cujos princípios estéticos terá divulgado no nosso país.
O regresso a Portugal (1847) foi, porém, marcado pelo insucesso junto do público, partindo, desiludido, de novo para Paris. Durante o período seguinte de viagens entre Portugal e França, Metrass pintou as suas obras mais emblemáticas, encenando dramaticamente cenas da História nacional (Camões na gruta de Macau, 1853 e Inês de Castro pressentindo os assassinos, 1855, ambas do Museu do Chiado) e explorando expressivamente os temas românticos do limiar da morte ou da angústia existencial.
O romantismo popularizou-se então em Portugal, após um primeiro momento de incompreensão, com as pinturas de Metrass, que seria nomeado professor da cadeira de pintura de História da EBAL."
In: [Catálogo de exposição]
Viseu, 2012, p. 12.
Camões em Macau
"Existem indícios fortes de que Camões desempenhou, por algum tempo (talvez durante a década de 60 do séc. XVI), a função de provedor-mor dos defuntos em Macau.
Aí se encontra uma gruta que, segundo a lenda, teria funcionado como espaço de recolhimento e de trabalho do poeta e que guarda ainda hoje o seu nome.
Embora não comprovada documentalmente, tal lenda reflete bem a importância de Camões para a identidade cultural daquele território e para a preservação da língua portuguesa no quadro das relações históricas entre Portugal e a China.
Na tela do pintor Francisco Augusto Metrass, o poeta, tendo a pena na sua mão direita e a espada a seus pés, surge acompanhado pelo jau, um escravo oriundo da ilha de Java, mas é pouco provável que em Macau este já estivesse ao seu serviço."
Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo (curadores)
para saber +
Francisco Augusto Metrass | Wikipédia
Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo (curadores)
patente de 9 jan. a 25 jul. 2025, na Sala de São Pedro, da BGUC].
Exposição CAMÕES 500 - Reproduzida online.
Produção: Maria Luisa Sousa Machado; José Amado Mateus;
Design: Atelier d'Alves.
Coimbra, 2025
Nuno Sadanha
Francisco Metrass (1825-1861): Melancolia, Eros e Tanatos.
in Arte, Cultura e Património do Romantismo. Actas do 1.º Colóquio “Saudade Perpétua”,
2017, p. 769-799.
[Catálogo de exposição]
Viseu: Câmara Municipal de Coimbra e Museu Grão Vasco, 2012.
Museu Nacional de Arte Contemporânea
Camões nas Colecções do Museu Nacional de Arte Contemporânea: Catálogo.
Lisboa: MNAC, 1972.
Redação: 9.02.2026


