2026/02/18

António Manuel Couto Viana como Camões


Camões em Macau

 “The grotto of Camoens, Macao" 
Desenhado por Thomas Allon | Gravado por S. Bradshaw,
para The Chinese Empire illustrated, 1858, de Thomas Allon 


Camões


Em que ano subi esta colina,
Repousei nesta gruta e respirei
Brandas auras? Da pátria e do meu rei,
Aqui, sublime, sublimei a sina?

Que fama do meu vulto peregrina
Na voz destas paragens, e da lei
Da morte me liberta? Onde enlacei
A amizade do jau e o amor de Dina?

Deixei sinais na areia, no arvoredo?
Quem me ocultou de mim como um segredo?
— Até o longínquo China navegou…

Aqui cheguei? Daqui parti? E quando?
Quem salvou do naufrágio miserando
Aquele que não sei se fui, mas sou?"













1923 - 2010
Encenador, tradutor, poeta, 
dramaturgo e ensaísta português.

In: Até ao longínquo China navegou
     Macau: Instituto Cultural de Macau, 1991.
     Col. Poetas de Macau, 4
     Prémio Camilo Pessanha, IPOR 1992.





* Viveu dois anos em Macau, entre 1986 e 1988, 

   onde foi docente do Instituto Cultural.




para saber +


No programa "O que é feito de si?"
da RTP 2, 11.06.1992






Redação: 17.02.2026

A VIDA DE CAMÕES