2026/02/16

A Gruta de Camões a tinta da China por Zé Manel


  [Jardim Luís de Camões], 1998  

Macau. - Desenho, a tinta da China; preto & branco; 30x34 cm
por Zé Manel

in: Macau a tinta da China
Texto de Dinis de Abreu | Desenho de Zé Manel
Pref. Agustina Bess-Luís
Tradução da Companhia de Tradução de Macau, Ltd
Macau : Governo de Macau, ago. 1998 [p. 27].

"Veja como Macau se escreve em palavras curtas 
e se descreve a tinta da China"


"Um dia, uma jovem americana aportou a Macau, nos idos anos de 1829, meses depois de dura navegação, e começou um diário que é um dos raros documentos da época com impressões de um estrangeiro sobre Macau.

Harriet Low, o nome da jovem americana, fez do diário sete livros de memórias que estão hoje à guarda da Biblioteca do Congresso, e se não escondia o seu encantamento perante a beleza de Macau, visto do mar, era ainda menos contida na apreciação que fazia das suas ruas estreitas e irregulares e do jardim da Gruta de Camões, um «aprazível lugar», como lhe chama, com escadas e um mirante, donde se podia disfrutar uma vista única.

É natural que a jovem, do que se conhece, siga mais o caminho da sua sensibilidade do que o da polémica sobre se o poeta residiu ou não em Macau, se desempenhou ou não as «apagadas funções» de provedor dos defuntos e ausentes, para citarmos Pessanha.

O certo é que a gruta, discreta no seu penhasco, rodeada de uma vegetação densa e quase selvagem, é desde há muito lugar de peregrinação, visitada com respeito e veneração por estrangeiros letrados e portugueses que não guardam de Camões apenas o recitativo ou a "maçada" da divisão de orações de Os Lusíadas nos bancos do liceu.

Pessanha interroga-se sobre se "a exígua península" de Macau tem qualidades que a recomendem para "andar assim associada à memória dessa epopeia e da biografia do poeta sublime que a cantou". E logo a seguir responde, como se arrependido da dúvida, que Macau "é o mais remoto padrão da estupenda atividade portuguesa no Oriente nesses tempos gloriosos". E sublima o raciocínio deste modo: "Note-se que digo padrão vivo: não digo relíquia".

É esse padrão vivo, semi-escondido quase ao cimo da colina dominada pelo jardim, que todos os anos é destino de romagem de portugueses e de chineses. Porque Camões faz parte integrante do imaginário de Macau e das referências coletivas.

Na "exígua península" de Macau, os que hoje ali vivem e aqueles que amanhã hão-de vivê-la decerto não vão perder a memória - ou as referências. Macau será sempre um diário inacabado..."
Dinis de Abreu
in: Macau a tinta da China
Texto de Dinis de Abreu; desenho de Zé Manel
Macau : Governo de Macau, ago. 1998 [p. 26].


"Aí está o Jardim de Camões,
com os seus passarinheiros que entre si fazem torneios de canto"
Agustina Bess-Luís
Do prefácio

  Macau a tinta da China  

  LIVRO-ÁLBUM ILUSTRADO  

Texto de Dinis de Abreu | Desenho de Zé Manel

Prefácio de Agustina Bess-Luís
Tradução da Companhia de Tradução de Macau, Ltd

Macau : Governo de Macau, ago. 1998.

Ed. biblingue em português chinês
122 p. : muito il. (30x34 cm)


Macau a tinta-da-China
"um dos mais importantes livros-álbum que [Zé Manel] deu à estampa, 
resultado de uma divagação por aquele antigo território sob administração portuguesa".
Dinis Abreu

"Não pode, todavia, deixar de destacar-se 
a verdadeira orgia gráfica que deixou espalhada pela obra 
Macau a Tinta da China, um livro verdadeiramente impressionante, 
com textos de Dinis de Abreu, encomendado pelo Governo de Macau, 
à época da transferência daquele território para a China. 
É um dos álbuns mais geniais na história da Ilustração Gráfica Portuguesa ."
António Gomes de Almeida
"Zé Manel.. o talento e a sensualidade", jan. 2018
   in AMADORA BD | Facebook, 26.01.2029


Dinis de Abreu
Manuel de Jesus Dinis de Abreu
n. 1944. | Jornalista.

Foi subdiretor e diretor do Diário de Notícias (1978-1992),
dirigiu as  revistas Factos Meios e, em 2002, 
assumiu o cargo de diretor de comunicação e relações exteriores da Estoril-Sol. 
Coordenou a coleção de livros "Media Hoje".
Em 2017, era presidente do Clube Português de Imprensa,
de que é um sócio fundador - o CPI foi fundado em 1980.

Entre outros títulos, publicou 
Macau: diário sem dias (Lisboa: Verbo, 2000) 
que "é o testemunho datado das atmosferas e das ocorrências 
que marcaram os últimos dias da Administração portuguesa, 
num território onde se cruzaram gentes e culturas 
e a História moldou um estilo peculiar de viver."

Zé Manel
José Manuel Domingos Alves Mendes
n. Lisboa, 22.01.1944 - m. 24.01.2019
Ilustrador e humorista.

Formado na Escola de Artes Decorativas António Arroio.
Um artista com uma obra multifacetada, repartida por  
cartoons políticos e desenho satírico, 
ilustração de livros infanto-juvenis  e de livros escolares,
banda desenhada, etc. 

Em 1998, para além da coautoria com Dinis de Abreu
em Macau a tinta da China (Macau: Governo de Macau) 
ilustrou outra obra sob o signo do Oriente: 
As 8 cartas de Macau, de Celina Veiga de Oliveira & Ana Cristina Alves 
Macau: Livros do Oriente / Fundação Macau.
 
“Eros uma vez… o humorista Zé Manel”
foi uma retrospetiva da sua obra, em 2014,
no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora 
Dessa exposição resultou a publicação de uma coletânea do seu trabalho.

Em 2011, já recebera o Prémio de Honra do festival Amadora BD.



para saber +


in: humorgrafe, 24.01.2019

 in Torre de Babel, 30.06.2017





Redação: 16.02.2026

A VIDA DE CAMÕES