Trinta anos de Camões:
ensaios e intervenções 1991-2021
de Hélio J. S. Alves
Lisboa: Caleidoscópio, 2024
362 p.
AGENDA das APRESENTAÇÕES
FEV. 2026
26 fev. 2026, quinta-feira, às 15h00, sala do DEPER, FLUP
Lançamento do livro: "Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991-2021"
de Hélio Alves
Apresentação de Isabel Almeida (FLUL) e Zulmira Santos (FLUP).
NOV. 2025
14 nov. 2025, sexta-feira, 16h-18h,
no Campus Nation, U. Sorbonne Nouvelle, Paris.
Sessão de apresentação do livro:
Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991-2021 de Hélio Alves
Mesa-redonda sobre "sur les enjeux de lecture de l'œuvre de Camões aujourd'hui"
com Aude Plagnard e Vanda Anastácio.
MAI. 2025
16 mai. 2025, sexta-feira, às 10h00
Hélio Alves falou de "Camões, de Redondo e de outras coisas mais"
na palestra intitulada "Nos princípios de Camões" de apresentação do livro:
Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991-2021, de Hélio Alves.
No âmbito da XXXVII Feira do Livro do Redondo, Alentejo.
Uma colectânea de crítica literária, filológica e histórico-cultural
"Este livro consiste numa recolha de reflexões realizadas entre dois regressos do autor a Portugal, o primeiro antes de iniciar a carreira universitária, o último logo depois de mudanças determinantes nela. A migração é o entre-lugar certo para entender Luís de Camões e os seus intérpretes mais voluntariosos e influentes (Manuel de Faria e Sousa, António José Saraiva e Jorge de Sena foram, como ele, emigrantes). A vida noutras paisagens e culturas permite adquirir o distanciamento necessário para, sem deixar de ver a árvore, vislumbrar a floresta.
Camões como autor não é o que tem parecido ser. Não é tão independente, ousado ou desinteressado como se tem dito, nem é o cantor do povo que direita e esquerda nele quiseram ver. Queixa-se insistentemente de que a poesia, a cultura e as artes são desdenhadas em Portugal, mas aquilo que incomoda Camões pessoalmente é a falta do «favor com que mais se acende o engenho», isto é, a falta de subvenção mecenática – e não, como erradamente se tem visto, a «apagada e vil tristeza» da pátria. Queixa-se, como é fama, de ser vítima de infortúnios e miséria; foi, porém, tratado pela Coroa de modo invulgarmente favorável.
Grande poeta épico e lírico, capaz duma fluência e energia inigualáveis, Camões levanta, ao mesmo tempo, problemas terríveis. Trinta Anos de Camões é uma colectânea de crítica literária, filológica e histórico-cultural que pretende contribuir para uma compreensão mais genuína da sua poesia, ao arrepio das interpretações excepcionalistas e exclusivistas predominantes desde há séculos."
Da sinopse no site da Caleidoscópio
Uma leitura crítica da obra de Luís de Camões
"A obra reúne ensaios produzidos ao longo de três décadas e propõe uma leitura crítica de Luís de Camões que questiona interpretações consolidadas da sua figura e da sua obra. Partindo da experiência da migração, entendida como um espaço de distanciamento crítico, o livro revisita temas como o mecenato, a relação do poeta com a Coroa e o modo como a sua poesia tem sido historicamente interpretada, contrariando leituras excepcionalistas e ideologicamente marcadas.
Trinta Anos de Camões. Ensaios e Intervenções 1991–2021 apresenta-se como uma colectânea de crítica literária, filológica e histórico-cultural que procura contribuir para uma compreensão mais rigorosa e historicamente situada de um dos autores centrais da literatura portuguesa."
in: Camões 500 Anos, Notícia.
Portugal desde 1640... até hoje
"Radica no Portugal da dinastia brigantina o predomínio e estabilização dum etnocentrismo que mascara as divisões internas à nação e constitui esta como una, eleita e predestinada por Cristo em Ourique. Se Camões se tornou o poeta por excelência desta representação ideológica de Portugal, tal aconteceu certamente porque as imagens do homem e do poeta a serviam melhor do que qualquer alternativa viável.
A imagem do país condicionou-se fortemente por efeitos de unanimidade criados pela Restauração, transformando uma sociedade, caracterizada pela formação de clientelas claramente divergentes e muitas vezes ferozmente rivais, numa nação idealizada em torno do seu rei, duma política centralizada e duma simbologia uniforme.
A partir de 1640, tudo o que pudesse indiciar variação ou diferença passou a ser interpretado como fractura na unanimidade nacional, como sinal de fraqueza no corpo político e, portanto, como objecto de repressão, condenação e silenciamento."
Excerto de Trinta Anos de Camões.
Lisboa: Caleidoscópio, 2024, p. 247
Hélio J. S. Alves
n. Coimbra, 1963
Professor, investigador, camonista
Mestre em Línguas e Literaturas Românicas
pela Universidade de Londres (1986)
e doutorou-se em Literatura na U. Évora em 1999,
onde defendeu provas de agregação, em 2008.
É professor de Literatura na FLUL
e director do Centro de Estudos Comparatistas (CEComp).
Entre outros artigos e monografias, publicou
Camões e Tasso, ficções em diálogo (Évora, 1996);
Camões, Corte-Real e o sistema da epopeia quinhentista (Coimbra, 2001);
"O som e a fúria d'Os Lusíadas" /Coimbra, 2006 - p. 49-65);
"Camões e o lirismo confessional na epopeia quinhentista,
separta da revista Românica 16 (2007), Lisboa;
Sepúlveda e Lianor : canto primeiro / Jerónimo Corte-Real -
ed. crítica e comentada de Hélio J. S. Alves (Coimbra, 2014);
Poetas que não eram Camões = Poets who weren't Camões
coautoria de Landeg White e Hélio J. S. Alves (Lisboa, 2018).
Cartaz do lançamento da obra,
provavelmente com apresentação de José Alberto Ferreira.
para saber +
Hélio Alves | Facebook
Hélio J. S. Alves | U. Évora
Vítor Serrão
O Camões de Hélio Alves | Facebook, 2.10.2025
Redação: 2.11.2025, atualizado em 18.02.2026








