31 de agosto de 2019

Na Galiza, a cadeira de Literatura Portuguesa I, lecionada por Maria Isabel Morán Cabanas, consagra a Luís de Camões o principal bloco temático


Universidade de Santiago de Compostela
Faculdade de Filologia, Dep. de Filologia Galega

Disciplina: Literatura Portuguesa 1

Tipo de cadeira: Matéria Ordinária Grau
Titulação: Línguas e Literaturas Modernas (Português). Maior de Língua e Literaturas Lusófonas.
Minor em Estudos Lusófonos I (Módulo Complementar).
Ano: 2º ano.
Nº Créditos: 6 (equivalente a 150 horas de carga letiva)
Duração: Quadrimestral

por
Maria Isabel Morán Cabanas



A mitificação de Luís de Camões e a pluridimensionalidade da sua obra


1. Comentário ao gráfico e sentido do tema

Podemos dizer que este é o tema a que maior atenção pretendemos prestar de todo o nosso temário pela vasta recepção de Camões na cultura portuguesa e na literatura universal e de todos os tempos. 
Até é tradição nas universidades que apresentam titulações de estudos lusófonos a existência de cadeiras especificas ou monográficas de Estudos Camonianos (na Faculdade de Letras de Lisboa criou-se pela primeira vez em 1924, regentada desde o início por camonistas de tanto prestígio como Afrânio Peixoto ou Hernâni Cidade; e em 1963 [sic] criou-se a a disciplina de Camonologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

2. Epígrafes dos pontos a desenvolver

1. Mitificação da figura de Camões e canonização da sua obra.
1.1. Dados, hipóteses e iconografias.
1.2. Concepção do valor das letras ao serviço à pátria
1.3. Tradição crítica

2. Obra lírica:
1.1. Elaboração, questões editoriais. 
1.2. Concepção e códigos
1.3. Temática: à volta de amor e destino

3. Obra épica: Os Lusíadas
3.1. Revisão da concepção e valores do género épico: caracterização e modelos
3.2. O programa de intenções dos Lusíadas
3.3. Estrutura funcional e figuras em destaque:
3.3.1. Excursos do poeta: reflexões, invocações e diálogos.
3.3.2.História de Portugal: Inês de Castro; o rei D. Manuel
3.3.3. Viagem: Vasco da Gama; o Velho do Restelo; Adamastor; a Ilha dos Amores. 
3.3.4. Presença dos deuses: Vénus versus Baco

4. Obra dramática: composição e recepção. 

5. Recepção da obra e da figura camoniana.


3. Materiais para o estudo

  • GUIA ou ROTEIRO DE LEITURA DA LÍRICA CAMONIANA, elaborado pela professora da cadeira, que será entregue aos alunos da matéria em forma impressa, no qual se sublinha a relevância de certos textos. A antologia que será seguida nas aulas é a preparada por Manuel Ferreiro, Carlos P. Martínez Pereiro e Francisco Salinas Portugal sob o título Doce canto em terra alheia?, Laiovento, A Coruña, 1994.
  • GUIA ou ROTEIRO DE LEITURA DE OS LUSÍADAS elaborado pela professora da cadeira, que será entregue aos alunos da matéria em forma impressa, no qual se localizam e comentam certos episódios desta obra épica aos que deve prestar-se maior interesse.

4. Método de trabalho aconselhado

Convém ter em conta unha perspectiva comparatista no tratamento de todos os temas e subtemas, lembrando aspectos que já foram comentadas anteriormente e cotejando-os de modo crítico. 
Devem revisar-se os topoi e as conjunturas sociopolíticas que desde os inícios da nossa focagem da Idade Média e da Renascença foram tidas em conta e observar atentamente a sua expressão na obra camoniana.

5. Actividade a desenvolver

  • Análise de textos camonianos de diversa temática (focalizações da mulher/amor e destino) e correspondentes aos género lírico e épico.
  • Busca na rede da sua recepção em diversos campos e ao longo do tempo e visualização de imagens de diversa natureza que nos ilustram sobre a mitificação e consolidação do cânone camoniano (artes plásticas, cinema, etc.)
  • Estabelecimento de um colóquio a partir de figuras míticas da obra camoniana sobre o tema das descobertas na literatura portuguesa da Renascença e a visão do Outro: a cada grupo de 2/3 pessoas será atribuída uma dessas figuras (Velho do Restelo / Adamastor / D. Sebastião / D. Manuel I)

6. Competências trabalhadas

Todas as aplicáveis ao estudo da Renascença: 2.1.b, c, d, e, f, g, h, j, k, l / 2.2. / 2.3. / 2.4.

7. Dificuldades principais

Não se destaca nenhuma dificuldade.

8. Bibliografia para ampliar o tema

  • FILGUEIRA VALVERDE, José, Camões, Coimbra, 1981. [comentários dalguns textos líricos e certos episódios dos Lusíadas]
  • MORÁN CABANAS, Maria Isabel, "D 'Os Lusíadas a Os Calaicos: o discurso da épica camoniana na literatura galega", in Maria do Céu Fraga José Cândido de Oliveira Martins João Amadeu Carvalho da Silva Maria Madalena Teixeira da Silva Manuel Ferro (eds.), Camões e os seus contemporâenos, Braga: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos Universidade dos Açores Universidade Católica Portuguesa, 2013, pp. 667-677.
  • MORÁN CABANAS, Maria Isabel, “O Adamastor d'Os Lusíadas na poesia de Bocage: entre mares e amores”, in Annabela Rita e Dionísio Vila Maior (eds), O Processo Criativo em Questão nas Ciências, nas Letras e nas Artes, Esfera do Caos, Lisboa, no prelo.
  • SENA, Jorge de, A Estrutura de Os Lusíadas e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI, Portugália Editora, Lisboa, 1970.[estruturação em planos dos Lusíadas e reflexões sobre a arquitetura discursiva da obra]
  • SILVA, J. M. Aguiar e, A lira dourada e a tuba canora: Novos ensaios camonianos, Cotovia, Lisboa, 1994. [recolha de ensais sobre diversos questões ligadas à lírica e à épica camonianas e revisão das suas fortunas críticas]
*** Lembre-se particularmente o prólogo da edição da antologia camoniana Doce canto em terra alheia? que referimos acima




Fonte: Morán Cabanas, Maria Isabel - Literatura Portuguesa I: guia docente e materia didático: 2019/2020. Santiago de Compostela: USC, 2019, p. 29-31.