21 de dezembro de 2021

L’Age d’Or de la Renaissance Portugaise, a exposição do Louvre em 2022



L’Age d’Or de la Renaissance Portugaise 

A Idade de Ouro do Renascimento Português


O Museu do Louvre, o mais visitado do mundo, vai receber em 2022 uma exposição dedicada à pintura antiga portuguesa, centrada em 15 obras provenientes do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) de Lisboa, revelou fonte da instituição francesa à agência Lusa.

Sob o título "L’Age D’or de la Renaissance Portugaise", a exposição irá decorrer entre 10 de junho e 10 de setembro de 2022, na Ala Richelieu do Museu do Louvre, e é comissariada por Charlotte Chastel-Rousseau, conservadora do Departamento de Pintura do museu parisiense.

A mostra, que se realiza no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França, de diplomacia cultural entre os dois países, irá apresentar cerca de 15 pinturas cedidas pelo Museu Nacional de Are Antiga, através de uma parceria. Nuno Gonçalves (c. 1450-c.1516), Jorge Afonso (1504-1540), Cristóvão de Figueiredo (c.1515-1554) e Gregório Lopes (c. 1513-1550) serão alguns dos artistas representados na exposição do Louvre. 

Os visitantes do Louvre "poderão conhecer a pintura requintada e maravilhosamente executada" dos artistas, como avança o museu: 

"Muito raramente apresentada, ou mesmo identificada em museus franceses, a pintura portuguesa merece ser mais conhecida: esta apresentação de quinze painéis pintados de muito boa qualidade, cedidos pelo MNAA, vai ser uma descoberta para o público francês".

Recorda ainda o Louvre que, desde a exposição de 1930, no Jeu de Paume em Paris, sobre a arte portuguesa da época dos Descobrimentos, e as mais recentes exposições em França, também na capital parisiense – Sol e Sombras: Arte Portuguesa do Século XIX (1987) no Musée du Petit Palais e Rouge et Or. Trésors du Portugal Barroco” (2001) no Museu Jacquemart-André, que “este período privilegiado do Renascimento português” não era abordado. 

"Operando uma síntese muito original entre as invenções pictóricas do primeiro Renascimento italiano e as inovações flamengas, importadas por pintores como Jan Van Eyck, que se hospedaram em Portugal em 1428-1429, a escola de pintura portuguesa afirmou-se a partir de meados do século XV, paralelamente à formidável expansão do Reino de Portugal. Com o patrocínio dos reis D. Manuel I (1495-1521) e D. João III (1521-1557), que se rodeou de pintores da corte e encomendou inúmeros retábulos, a pintura portuguesa viveu, na primeira metade do século XVI, uma época áurea, antes de sofrer um eclipse com a crise da sucessão portuguesa em 1580, e a anexação de Portugal pela coroa de Espanha", 

aponta o Louvre como enquadramento histórico num texto sobre esta exposição de pintura portuguesa.

Naquele museu, a aquisição de algumas pinturas permitiu começar a esboçar uma história desta escola, com um pequeno núcleo de quatro pinturas portuguesas datadas do século XV ao século XVIII", recorda ainda o museu, que possui aproximadamente 38 mil objetos, da pré-história ao século XXI, exibidos numa área de 72.735 metros quadrados.

O Departamento de Pintura assinala também, no documento enviado à Lusa, que deseja

"continuar a enriquecer este acervo [de pinturas portuguesas], de acordo com a vocação universal do Museu do Louvre e a exigência de oferecer o panorama mais abrangente possível da pintura europeia".

A duração desta "exposição-dossier será também uma oportunidade de dar a conhecer as pinturas portuguesas apresentadas de forma mais geral em França, no âmbito do projeto de identificação de pinturas ibéricas de coleções públicas francesas", indica a mesma fonte do museu que, em 2019, recebeu 9,6 milhões de visitantes.

A mostra está inserida na programação da Temporada Cruzada entre França e Portugal, iniciativa de diplomacia cultural criada com o objetivo de aprofundar as relações entre os dois países, e que irá ser levada a cabo entre fevereiro e outubro de 2022, com exposições, espetáculos e outros eventos, com curadoria do encenador Emmanuel Demarcy-Mota, a par de Manuela Júdice e Victoire Bigedain Di Rosa, no comissariado-geral.




   MNAA

Criado em 1884, o Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa alberga a mais relevante coleção pública do país em pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão, desde a Idade Média até ao século XIX, incluindo o maior número de obras classificadas como “tesouros nacionais”, assim como a maior coleção de mobiliário português.

No acervo encontram-se, nos diversos domínios, algumas obras de referência do património artístico mundial, nomeadamente, os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, obra-prima da pintura europeia do século XV.

Também detém a Custódia de Belém (1506), obra de ourivesaria de Gil Vicente, mandada lavrar pelo rei Manuel I, e os Biombos Namban, do final do século XVI, registando a presença dos portugueses no Japão.

O tríptico Tentações de Santo Antão (c. 1500) de Hieronymus Bosch, Santo Agostinho, de Piero della Francesca, A Conversação, de Pietr de Hooch, e São Jerónimo, de Albrecht Dürer, estão também entre as mais conhecidas obras do museu.



Para saber +


Ala Richelieu do Museu do Louvre