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2024/06/08

Camões: erros meus, má fortuna, amor ardente (1946), de Leitão de Barros


CAMÕES

erros meus, má fortuna, amor ardente

FILME

 
Estreia em 20 SET. 1946 | S. Luiz, Lisboa

A preto e branco | 118 min.


Realização:

José Leitão de Barros

Assistente de realização: 

Carlos Ribeiro, Alejandro Perla, Fernando Macedo, Carlos Marques, 
Celestino Soares, Óscar Acúrcio, João Moreira, Fernando Silva

Argumento: 

Leitão de Barros , António Lopes Ribeiro

Revisão de diálogos:

Afonso Lopes Vieira

Produção: 

António Lopes Ribeiro

Montagem

Vieira de Sousa

Música:

Ruy Coelho
Som: Francisco Quintella

Direcção de fotografia: 

Manuel Luís Vieira, Francesco Izarelli

Cenários: 

Vasco Regaleira, Rui Couto, Pierre Schild 

Assistente de decoração: 

Manuel Lima, João Barros, Jorge de Sousa, 
Armando Pires, Joaquim Esteves

Guarda-roupa:

Paula Lopes, Álvaro Costa

Chefe de indumentária: 

Alberto Anahory, Maria da Paz d'Orey

Empresa de guarda-roupa: 

Paiva, Sastreria Cornejo, Peris Hermanos, Vazquez



ELENCO: 

O Poeta e seus contemporâneos:
António Vilar (Luís de Camões)
José Amaro (Dom Manuel de Portugal)
Igrejas Caeiro (André Falcão de Resende)
Paiva Raposo (Pero de Andrade Caminha)
António Góis (Pedro Nunes)

Amigos de Camões:
João Amaro (amigo), 
Baltazar de Azevedo (amigo), Carlos Velosa (amigo)

Figuras femininas:
Leonor Maia (Leonor) | Idalina Guimarães (Inês)
Maria Manuela Fernandes (Dinamene) | Dina Salazar (Burguesa de Coimbra)
Eunice Muñoz (Beatriz da Silva) | Carmen Dolores (Catarina de Ataíde)
Lúcia Mariani (Guiomar Blasfé) | Maria Brandão (a rainha D. Catarina)
Julieta Castelo (infanta D. Maria) | Regina Montenegro (aia da infanta)
Cacilda de Albuquerque (Isabel)
Virgínia de Vilhena (Luísa), Joselina Andrade (a outra prima)
Isabel de Carvalho (dama que dá o mote)

Família de Natércia:
Mário Santos (pai de Natércia) | Josefina Silva (mãe de Natércia),

Amigos de Pero de Andrade de Caminha:
Manuel Lereno (amigo) | Carlos Moutinho (amigo)
Júlio Pereira (amigo) | Eduardo Machado (amigo)

Realeza:
João Villaret (D. João III de Portugal)
Armando Martins (D. Sebastião, Rei de Portugal).

Censores e Impressores:
José Vítor (Frei Bartolomeu Ferreira)
Sales Ribeiro (impressor António Gonçalves)

Do Mal-Cozinhado
Vasco Santana (Mal-Cozinhado)
Olga Fernandes (dama de aluguer) | Maria Julieta (dama de aluguer)
Álvaro da Fonseca (freguês) | Vilar de Miranda (freguês) | Mário Lázaro (freguês)

Outras figuras:
Celestino Soares (camareiro-mor) | Celestino Ribeiro (homem das velas)
Mário Ramsky (mestre de baile)
Alfredo Henriques (alcaide) | Assis Pacheco (D. João da Silva, regedor das Justiças)
José Paulo (Jorge da Silva) | Fernando de Oliveira (amigo de Jorge da Silva)
Costinha (Gaspar Borges) | Ferreira da Cunha (pintor)
António Silva (cabo dos meirinhos) | Virgílio Macieira (1º meirinho)



Sinopse:

Filme realizado por José Leitão de Barros, que relata a vida aventurosa de soldado e a escrita genial de poeta desse grande português - Luís Vaz de Camões: desde os tempos juvenis e irreverentes em Coimbra, o "amor ardente" iludido ou contrariado, o guerreiro da "má fortuna", a sua errância pelo Oriente e terras do Índico, até ao seu regresso à pátria, com a leitura de "Os Lusíadas" (1572), em Sintra...




CAMÕES de Leitão de Barros

por Jorge Leitão Ramos

“Camões” é um caso sem paralelo na História do Cinema Português. A sua singularidade começa no fausto da produção, para a qual foram canalizados meios nunca antes (nem depois...) disponíveis na nossa cinematografia – em boa medida providenciados pelo Estado, já que o Governo considerou o filme de «interesse nacional» – e bem expressos no aparato cenográfico, de guarda-roupa e de elenco, prossegue na audácia do próprio tema (uma biografia de Camões, símbolo central da ideia de portugalidade que o nacionalismo salazarista celebrava), conclui-se no extenso sucesso que o filme obteve (com entrada no 1.º Festival de Cannes, em 1946, e tudo). 

Sobre ele afirmou António Ferro ser ‘uma grande obra, um grande fresco cinematográfico que honra não só o cinema nacional como constitui padrão da sensibilidade portuguesa, marco da sua epopeia, tapeçaria movediça da sua glória’, e que ‘se não ganhou em Cannes o prémio que merecia, apesar das palmas que interromperam a sua exibição, foi apenas porque nesse concurso e nesse momento, o nacionalismo elevado, puro, não estava na moda’.

Por todas as razões “Camões” é um momento indeclinável do cinema português? Por todas as razões menos por uma: os seus méritos estéticos. Com efeito a retórica empolada que lhe está na matriz (e de que a interpretação de António Vilar, no protagonista, é expoente) cobre-o de um manto de incredulidade e de ridículo de que não é possível sair nem elidir. Cenas como as da invenção de ‘Descalça vai para a fonte / Leonor pela verdura...’, a da intuição dos Lusíadas (ambas, na época, saudadas por Augusto Fraga, no "Século", como ‘momentos culminantes’ do filme) ou a sequência final são exemplos acabados de uma falta de fôlego irremível, de um cinema poeirento e com barbas na pior de todas as tradições de representação. 

E quanto à verdade histórica da fita, logo à época houve quem a contestasse, sendo o caso mais paradigmático o de Alfredo Pimenta que, n’"A Nação", lhe chamou ‘monstruosidade... a mais escandalosa deturpação da vida de Camões’. Foi, todavia, voz muito minoritária, o diapasão geral da recepção na Imprensa afinou por tom entusiástico.

Mas se “Camões” não é (e nunca foi) um grande filme, vê-lo, desapaixonadamente, agora, tem lições várias. A maior de todas é constatar como os únicos intérpretes que aguentam a travessia incólumes se chamam Eunice Muñoz – ainda não tinha dezoito anos e assim se estreava no cinema – e João Villaret ou, em ‘intermezzos’ de natureza pícara, Costinha, Vasco Santana e António Silva. 
Não é inútil, também, olhar a invenção cenográfica (muito ao estilo Exposição do Mundo Português, mas mesmo assim...). 
E, sobretudo, é assaz proveitoso meditar numa obra que a propaganda oficial do Estado Novo apresentava como modelo."
Jorge Leitão Ramos
in Dicionário do Cinema Português 1895-1961
Lisboa: Editorial Caminho / Leya, 2012, p. 67.
Texto reprod. pelo autor na sua página do Facebook, 10.06.2022.









  1. José Leitão de Barros, professor, cineasta, jornalista, dramaturgo e pintor português.
  2. O filme "CAMÕES" em siporte DVD. - Apesar das críticas, o público tem acolhido a obra, que tem sido divulgada em diferentes suportes materiais, de acordo com a evolução técnica dos multi-média.





para saber +



Luís de Pina
"Camões, de Leitão de Barros"
In História do Cinema Português
Lisboa: Europa-América, 1986.



Programas TV: Camões | in RTP [online]







Alfredo Pimenta
In "A Nação", n.º 41 (30.11.1946), p. 1-10.
Texto reprod. no blogue Nonas, 25.6.2008

in IMDb










Redação: 16.06.2016, atualizado em 8.06.2024

2024/06/05

“O Velho do Restelo” (2014), de Manoel de Oliveira, exibido no Operafest 2024



“O Velho do Restelo” (2014), de Manoel de Oliveira

CINE-ÓPERA



7 SET. 2024 | às 17h30 | na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa









O ciclo cine-ópera, 
que decorre em parceria com a Cinemateca Portuguesa, 
apresentará “Non”, ou vã glória de mandar” (1990) e 
“O Velho do Restelo” (2014), de Manoel de Oliveira.

A primeira exibição pública do filme ocorreu em 2 set. 2014,
na 71.ª Mostra Internazionale d'Arte Cinematografica – Venezia.
O filme foi apresentado na selecção oficial, fora de competição.
Estreou-se em Lisboa, a 11 dez. 2014.



Elenco:

Luís Miguel Cintra (Luís de Camões)
Ricardo Trêpa (D. Quixote)
Diogo Dória (Teixeira de Pascoaes)
Mário Barroso (Camilo Castelo Branco)

Ficha técnica:

Realização: Manoel de Oliveira
Assistente de realização: Francisco Botelho
Argumento: Manoel de Oliveira
Conselheiro histórico: padre João Marques
Imagem: Renato Berta


Produção:

O Som e a Fúria (Portugal) & Epicentre Films (Paris).







 Teaser no Youtube:



Sinopse: 

"Um mergulho livre e sem esperança na História tal qual como ela é escrita, 
como um sedimento fértil, na memória de Manoel de Oliveira. 

Oliveira reúne num banco do século XXI 
Don Quixote, o poeta Luís Vaz de Camões, e 
os escritores Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco. 
Em conjunto, levados pelos movimentos telúricos do pensamento, 
eles derivam entre o passado e o presente, 
derrotas e glórias, vacuidade e alienação, 
em busca da inacessível estrela."





  1. Cartaz promocional do filme “O Velho do Restelo”, de Manoel de Oliveira, de 2014.
  2. Cena do filme, em que as personagens de Camões e D. Quixote contracenam.
  3. O Poeta épico, personagem do filme “O Velho do Restelo”.
  4. A obra "Os Lusíadas" (1572) de Luís de Camões  numa cena de “O Velho do Restelo”.






para saber +


Jorge Leitão Ramos
"Manoel de Oliveira", in Memoriale - Cinema Português

O Som e a Fúria, Portugal | Facebook

Epicentre Films, Paris | Facebook


Martin Dale
in Variety [online], 20.11.2014.

 João Lopes
 in DN, 26.08.2014.





Redação: 8.06.2024